16 de abril de 2009

Dedicatória

"Que chuva nenhuma, jamais, desmanche os corais de aurora em seu coração. Que sonho nenhum, jamais, seja impossível para às águas de arco-íris que adornam seus olhos"

7 de abril de 2009

Luz

"Pode ser que um dia suas mãos de menina recortem o céu.

Pode ser que um dia aquela estrela, aquela flor fugida, lembre os sorrisos de luz dispersos na suavidade que escorria entre nossos dedos.

Hora em que seus olhos adormecerão no aroma pertubante de palavras desmaiadas.

Hora em que a poeira de um amanhecer tristonho levará a canção perfeita até seus ouvidos, mergulhada na sombra cansada dos ombros que desejam te carregar.

E toda a arte suprema de meus versos vibra na catedral de água corrente em que te guardo...meu sonho"

2 de abril de 2009

Ondas de Renda

Eu tenho uma caixinha que levo sempre comigo. Algumas vezes debaixo do braço, outras no bolso da camisa. Ela não é nem muito grande nem muito pequena. Tem mais ou menos, quando fecho meus olhos, o tamanho das suas mãos.

Nela eu coloco tudo o que eu sinto sem poder dizer, como a cor do oceano que habita seus olhos, flores sendo devastadas e até mesmo o perfume da sua boca quando começamos a sonhar.

Gosto de guardar também os momentos em que seus braços foram, para mim, o refúgio para toda a dor absurda da humanidade. Os momentos em que todos os sabores mais agradáveis brotavam em sua pele, como uma nascente inesgotável para a minha loucura.

Mas agora tudo parece estar em silêncio. A brisa que eu recolhia do meu peito para te dar. Os versos tristes, escritos em flores de papel. Nossas mãos tocando aquele céu quebrado. O rastro das estrelas frias que eram lançadas sobre a terra. A luz da tempestade viajando nos vitrais dos meus olhos.

Nada disso te interessa mais, nem mesmo as imensas andorinhas que te levaram para longe em escuras ondas de renda.

Ah! E a minha caixinha? Já não sei onde a deixei.

Talvez em casa. Quem sabe no seu coração.