Todos nós passamos pela experiência do primeiro e grande amor. Inevitavelmente, é essa relação que acaba nos moldando, e sem que se perceba, tentamos cristalizar as características mais ternas dessa primeira ligação durante toda a vida.
Mas, de uma forma ou de outra, isso é impossível. O coração, depois de invadido por essa obra fundamental, nunca mais é o mesmo. Jamais terá a mesma coragem. Jamais a mesma genuinidade...
Por que afinal estou escrevendo isso? Foi somente uma frase, que li por acaso no dia de hoje:
"Pode ser que o sol se levante sobre as tuas mãos sem vontade e encontres as coisas perdidas na sombra em que as abandonaste"
Ah! Minha cara Cecília, como eu gostaria de ter a força para acreditar nisso, sem ter meu coração desmontado pela velocidade insana a que esses pensamentos me levam.
[...]
Decidi compartilhar a poesia de onde retirei a tal frase. Logicamente, da Cecília Meireles.
Inverno
Choveu tanto sôbre o teu peito
que as flores não podem estar vivas
e os passos perderam a fôrça
de buscar estradas antigas.
Choveu tanto sôbre o teu peito
que as flores não podem estar vivas
e os passos perderam a fôrça
de buscar estradas antigas.
Em muita noite houve esperanças
abrindo as asas sôbre as ondas.
Mas o vento era tão terrível!
Mas as águas eram tão longas!
abrindo as asas sôbre as ondas.
Mas o vento era tão terrível!
Mas as águas eram tão longas!
Pode ser que o sol se levante
sôbre as tuas mãos sem vontade
e encontres as coisas perdidas
na sombra em que as abandonaste.
sôbre as tuas mãos sem vontade
e encontres as coisas perdidas
na sombra em que as abandonaste.
Mas quem virá com as mãos brilhantes
trazendo o seu beijo e o teu nome,
para que saibas que és tu mesmo,
e reconheças o teu sonho?
trazendo o seu beijo e o teu nome,
para que saibas que és tu mesmo,
e reconheças o teu sonho?
A primavera foi tão clara
que se viram novas estrêlas,
e soaram no cristal dos mares,
que se viram novas estrêlas,
e soaram no cristal dos mares,
lábios azues de outras sereias.
Vieram, por ti, músicas límpidas,
trançando sons de ouro e de sêda.
Mas teus ouvidos noutro mundo
trançando sons de ouro e de sêda.
Mas teus ouvidos noutro mundo
desalteravam sua sêde.
Cresceram prados ondulantes
e o céu desenhou novos sonhos,
e houve muitas alegorias
navegando entre Deus e os homens.
e o céu desenhou novos sonhos,
e houve muitas alegorias
navegando entre Deus e os homens.
Mas tu estavas de olhos fechados
prendendo o tempo em teu sorriso.
E em tua vida a primavera
não poude achar nenhum motivo...
prendendo o tempo em teu sorriso.
E em tua vida a primavera
não poude achar nenhum motivo...
Obs: Somente agora percebi como o texto está incoerente. Por outro lado, me senti bem escrevendo ele.