17 de outubro de 2009

Sol

Você surgiu inesperadamente, com sua forma e seu calor, entre as luzes de um solitário céu de Agosto. E tudo me carregava para você...

À noite, o mundo e o vento giravam em seu perfume. Uma flor, jamais esquecida, guardada nos lábios para me buscar. E tudo me carregava para você...

Onde você estava? De onde veio todo esse sentimento de repente? Meu coração febril, desejando em loucura o pedaço de sol em seu corpo. E tudo me carregava para você...

Os seus cabelos propagando o fogo. A natureza azul e suave daquele beijo roubado deixando a certeza de que eu vim para viver em sua alma. E tudo me carregava para você...

Vejo agora minha felicidade brotando à beira da floresta em seus olhos, onde as cores de todos os sonhos começam. Vejo o movimento puro do seu amor em meu peito.

E todas as viagens me levarão eternamente até você.

29 de setembro de 2009

Promessa

"Tenho tons de azul para te dar, violetas e até mesmo um punhado de nuvens que não aprenderam a voar. Mas talvez você deseje o meu amor, simplesmente."

7 de agosto de 2009

Girassóis

A lembrança dos sorrisos que abandonei cedo demais, a saudade insuportável das vozes que matei violentamente, o coração rasgado por trovões e a dor tênue em cada um dos meus gestos são como um fiozinho d'água triste em meu peito, traçado e nunca desfeito.

Mas nas palavras de Caio Fernando Abreu: "...você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente..."

Ah meu amor! E agora, o que eu faço com você? O que faço com esses girassóis pousados sobre a sua ausência? A ternura febril que deixa um rastro entre nós, mas que ninguém pode ver. A ansiedade dolorida em seus lábios. Os sonhos claros girando como uma roda-gigante fantástica em nossos corações...

26 de julho de 2009

Oração

Eu só queria ter esperança. Mas isso dá medo. Muitas vezes, na verdade na maioria delas, penso que é melhor dormir com o triste som do gotejar da chuva em caminhos já quase escuros. Que é melhor ter meus sonhos devorados por relâmpagos, do que entregá-los à fúria que consome o silêncio e luz das flores.

Difícil saber então por que continuo sentindo seus cabelos de desenho tão puro em meu rosto. Por que uma oração, delicada e frágil aos sentidos, nasce secretamente em mim toda as vezes que encosto meus pensamentos em você. Mas acontece que existe o medo. Medo de que durante a noite estrelas molhadas por sombras se reúnam sobre seu coração. E que elas te revelem que o amor que existe em mim grita mais alto que a morte constante do céu à nossa volta. Mais alto que o murmúrio das lágrimas que apago com seus lábios.

16 de abril de 2009

Dedicatória

"Que chuva nenhuma, jamais, desmanche os corais de aurora em seu coração. Que sonho nenhum, jamais, seja impossível para às águas de arco-íris que adornam seus olhos"

7 de abril de 2009

Luz

"Pode ser que um dia suas mãos de menina recortem o céu.

Pode ser que um dia aquela estrela, aquela flor fugida, lembre os sorrisos de luz dispersos na suavidade que escorria entre nossos dedos.

Hora em que seus olhos adormecerão no aroma pertubante de palavras desmaiadas.

Hora em que a poeira de um amanhecer tristonho levará a canção perfeita até seus ouvidos, mergulhada na sombra cansada dos ombros que desejam te carregar.

E toda a arte suprema de meus versos vibra na catedral de água corrente em que te guardo...meu sonho"

2 de abril de 2009

Ondas de Renda

Eu tenho uma caixinha que levo sempre comigo. Algumas vezes debaixo do braço, outras no bolso da camisa. Ela não é nem muito grande nem muito pequena. Tem mais ou menos, quando fecho meus olhos, o tamanho das suas mãos.

Nela eu coloco tudo o que eu sinto sem poder dizer, como a cor do oceano que habita seus olhos, flores sendo devastadas e até mesmo o perfume da sua boca quando começamos a sonhar.

Gosto de guardar também os momentos em que seus braços foram, para mim, o refúgio para toda a dor absurda da humanidade. Os momentos em que todos os sabores mais agradáveis brotavam em sua pele, como uma nascente inesgotável para a minha loucura.

Mas agora tudo parece estar em silêncio. A brisa que eu recolhia do meu peito para te dar. Os versos tristes, escritos em flores de papel. Nossas mãos tocando aquele céu quebrado. O rastro das estrelas frias que eram lançadas sobre a terra. A luz da tempestade viajando nos vitrais dos meus olhos.

Nada disso te interessa mais, nem mesmo as imensas andorinhas que te levaram para longe em escuras ondas de renda.

Ah! E a minha caixinha? Já não sei onde a deixei.

Talvez em casa. Quem sabe no seu coração.

29 de março de 2009

Eu preciso...

Dormir com os dedos pousados em seus cabelos. Ter sempre comigo algo que me lembre de você. Do seu perfume nas minhas roupas, nas minhas coisas, na minha pele.

Eu preciso...

Buscar pedrinhas de todas as cores para te dar de presente. Tentar te beijar debaixo de uma cachoeira. Do seu sorriso tatuado em mim. Te abraçar mesmo quando isso seja dolorido. Que você chore ao ler meus versos. Que não chore quando nosso céu estiver mudo. Que você não me deixe ser alguém triste. Que seus gestos tenham sempre o tom dos sonhos que pairam entre nós.

Eu preciso...

Que sua música não se apague no fundo da escuridão. Que as estrelas estejam sempre murmurando no movimento dos nossos corpos. Que você seja sempre o sonho que julguei perdido. Que minha loucura jamais deixe rastros em você.

Eu preciso...

Que mesmo no desequilíbrio das sombras. Que mesmo diante desse nosso destino tão frágil. Que você não vá embora...

11 de março de 2009

Poesia linda de Ramón Sampedro, que tem sua história contada no filme Mar Adentro.

Os Sonhos – Ramón Sampedro

“Mar adentro, mar adentro,
E na leveza do fundo,
Onde se cumprem os sonhos,
Juntam-se duas vontades
Para cumprir um desejo.

Um beijo incendeia a vida
Com um relâmpago e um trovão,
E em uma metamorfose
Meu corpo já não era meu corpo;
Era como penetrar no centro do universo:

O abraço mais pueril,
E o mais puro dos beijos,
Até sermos reduzidos
Em um único desejo:

Seu olhar e meu olhar
Como um eco repetindo, sem palavras:
Mais adentro, mais adentro,
Até o mais além do todo
Pelo sangue e pelos ossos.

Mas sempre acordo
E sempre quero estar morto
Para seguir com minha boca
Enredada em seus cabelos”.

26 de fevereiro de 2009

Cristalizado

Você já teve a sensação de que jamais deveria ter abandonado aquela concha que o mar carregou até seus pés? A memória daquela obra fantástica permanece em todos os seus sentidos e hoje, com um arrependimento amargo, percebe que a melodia que fugia do seu interior era, em toda a sua doçura, o último som verdadeiro a ser captado pelo seu coração.

Todos nós passamos pela experiência do primeiro e grande amor. Inevitavelmente, é essa relação que acaba nos moldando, e sem que se perceba, tentamos cristalizar as características mais ternas dessa primeira ligação durante toda a vida.

Mas, de uma forma ou de outra, isso é impossível. O coração, depois de invadido por essa obra fundamental, nunca mais é o mesmo. Jamais terá a mesma coragem. Jamais a mesma genuinidade...

Por que afinal estou escrevendo isso? Foi somente uma frase, que li por acaso no dia de hoje:

"Pode ser que o sol se levante sobre as tuas mãos sem vontade e encontres as coisas perdidas na sombra em que as abandonaste"

Ah! Minha cara Cecília, como eu gostaria de ter a força para acreditar nisso, sem ter meu coração desmontado pela velocidade insana a que esses pensamentos me levam.
[...]

Decidi compartilhar a poesia de onde retirei a tal frase. Logicamente, da Cecília Meireles.

Inverno

Choveu tanto sôbre o teu peito
que as flores não podem estar vivas
e os passos perderam a fôrça
de buscar estradas antigas.
 
Em muita noite houve esperanças
abrindo as asas sôbre as ondas.
Mas o vento era tão terrível!
Mas as águas eram tão longas!
 
Pode ser que o sol se levante
sôbre as tuas mãos sem vontade
e encontres as coisas perdidas
na sombra em que as abandonaste.
 
Mas quem virá com as mãos brilhantes
trazendo o seu beijo e o teu nome,
para que saibas que és tu mesmo,
e reconheças o teu sonho?
 
A primavera foi tão clara
que se viram novas estrêlas,
e soaram no cristal dos mares, 
lábios azues de outras sereias.
 
Vieram, por ti, músicas límpidas,
trançando sons de ouro e de sêda.
Mas teus ouvidos noutro mundo 
desalteravam sua sêde.
 
Cresceram prados ondulantes
e o céu desenhou novos sonhos,
e houve muitas alegorias
navegando entre Deus e os homens.
 
Mas tu estavas de olhos fechados
prendendo o tempo em teu sorriso.
E em tua vida a primavera
não poude achar nenhum motivo...

Obs: Somente agora percebi como o texto está incoerente. Por outro lado, me senti bem escrevendo ele.

13 de fevereiro de 2009

Canção

"Hoje uma silenciosa canção caminha pela terra. Mesmo que insegura, está repleta de estrelas, vento e dor. Entre uma chuva e outra, ela parece procurar abrigo nas sombras, nas flores que escorrem pelo muro, na minha voz".

10 de fevereiro de 2009

Perfume

Por qual razão me dedico a telas de tons sombrios e irreais, quando meu sangue é da mesma cor que os rubros vinhos? Por qual razão caminho por paisagens de uma inocência desfeita, cheia de lírios decadentes, onde o horizonte guarda somente a ausência de luz? Ainda mais triste é querer saber por que, nesse doido anseio por amar, acabo absorvendo o fulgor triste e doloroso de lamparinas fadadas à escuridão.

Nessa febre que me invade, esqueço que trago o desenho das mais serenas montanhas em meu corpo. E a sombra desses muros negros não pode desfolhar as orquídeas vaporosas que nascem sobre meu coração. Simplesmente não podem. Pois é preciso guardar esse perfume tão gentil, para aquela nuvem que em sua trajetória modela meu sonho e minha imaginação. Para aquele bater de asas que explode em meu peito, como se sustentando o rugir de todas as águas. É preciso guardar um perfume tão gentil, para tuas mãos lindas de menina. Preciso guardá-lo... para você.

8 de fevereiro de 2009

Para você...

Vivo coberto pela sombra desse mar profundo e eterno. Com seus pequenos peixes de luz que se desmancham nessa maré de ondas tão longas, tenho a sensação de que alguns deles querem me levar por roteiros que guardam a exata ressonância da minha alma. Mas são esses o que somem sem deixar rastros.

Contornado de olhos fechados às ondas rápidas que passam e depois se apagam, sinto meu coração preso num imenso suspiro, pois uma rota com o teu nome foi traçada.

Para te alcançar, no entanto, será preciso pousar delicadas conchas sobre os teus pés, enquanto mergulho meus sentidos no som inesquecível das canções pelas quais você veleja. Será preciso, ainda, naufragar no dom secreto desses senhores do mar, fazendo brotar borboletas no vento que guarda o teu perfume, tirando a coragem de meu coração e tornando a alma bela, como se iluminada por um amanhecer definitivo.

6 de fevereiro de 2009

Flash

Folheando minha edição do livro Flor de Poemas de Cecília Meireles, encontrei o seguinte flash sobre a poetisa, escrito por João Condé e publicado no "O Cruzeiro", Rio de Janeiro, em 31 de dezembro de 1955. Acredito que foram poucos os livros sobre a autora que eventualmente inseriram tal trabalho em suas páginas, por isso resolvi compatilhá-lo.

"Nome: Cecília Meireles - Nasceu no Distrito Federal - Casada, tem três filhas e dois netos - Altura, 1,64 - Pesa 59 quilos e calça sapatos número 37 - É quase vegetariana - Não fuma, não bebe, não joga - Não pratica nenhum esporte, mas gosta muito de caminhar e acha que seria capaz de dar a volta ao mundo a pé - Não gosta de futebol e raramente vai ao cinema - Gosta de bom teatro - Responde pontualmente todas as cartas que recebe, mas atrasa-se, às vezes, em agradecer livros, porque só agradece depois de os ler - Adora música, especialmente canções medievais, espanholas e orientais - Poetas preferidos: todos os bons poetas - Prefere os pintores flamengos - Dorme e acorda cedo - Leu Eça de Queirós antes dos 13 anos - Escreveu o seu primeiro verso aos 9 anos - Estudou canto, violão, violino e, às vezes, desenha - Se pudesse recomeçar a vida, gostaria de ser a mesma coisa, porém melhor - Seu primeiro livro publicado foi Espectros, tinha 16 anos - Seu principal defeito: uma certa ausência do mundo - Seu tormento: desejar fazer o bem as pessoas que precisam de auxílio e não o aceitam - Nunca viu assombração, mas gostaria de ver - Não tem medo de viajar de avião em viagens longas - Gostaria de tornar a visitar o Oriente e chegar até a China - Pensa que poderia, pelo menos, ficar muito tempo no Mediterrâneo - Coleciona objetos de arte popular - Já colecionou xícaras e colheres de chá - Agora acha o café tão ruim que não vale a pena colecionar os acessórios - Teve grande emoção quando chegou aos Açores, terra de seus antepassados - Outra emoção grande: quando viu a sua "Elegia a Gandhi" traduzida em idiomas da Índia - É o poeta brasileiro mais conhecido em Portugal - Até agora não conseguiu gostar de Paris, embora admire a França - Admira profundamente São Francisco de Assis, Gandhi e Vinoba Bhave - Coisas que a horrorizam: tocar em papel carbono, ver comer ostras, aspirar fumaça de ônibus - Coisas que ama: crianças, objetos antigos, flores, música de cravo, praia deserta, livros, livros, livros, noite com estrelas e nuvens ao mesmo tempo - Acha que não tem medo da morte - Gostaria de morrer em paz."

3 de fevereiro de 2009

Lágrimas Viajantes

Há quem diga que as lágrimas são naus de névoa perdidos numa rota secreta e bela. Flores de vidro que sucumbem ao sentir o suspiro amargo em nosso peito.
Há ainda quem diga que, a cada lágrima que damos vida, uma parte de nós evapora-se, indo repousar em um vale de profundo silêncio e esquecimento.

Agora, me pergunto, como eram as lágrimas que dediquei a você? Para onde foram esses enredos tristíssimos? Não sei. Talvez por sentir as cores dessa música que te embala escorrendo pelos meus dedos, eu prefira amar o céu do que lembrar desses pequenos universos suspensos nos seus cabelos. Talvez, por meu coração infatigável ter descoberto, ainda que inutilmente, o itinerário dessa multidão de estrelas violetas que viajavam em você, seja melhor jamais lembrar.

Criança

Uma das minhas poesias preferidas, extraída do livro Viagem, de Cecília Meireles. A esse livro foi concedido o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, em 1939, pela Academia Brasileira de Letras.

Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sòzinho,
que sòzinho sofre, - e resiste.

Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente...

Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo mêdo de perder tudo.

Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sôbre a água do mundo
para mirar seu desencanto.

Para vêr passar numa onda lenta e fria
a estrêla perdida da felicidade
que soube que não possuiria.


Cecília Meireles

11 de janeiro de 2009

Rosas Queimadas

Há nos seus olhos certa imensidão. Uma imensidão de dor e ritmos que minhas mãos não podem alcançar. Retratos de abandonos cruéis e desleais.

Há nos seus olhos um enredo profundo e secreto de palavras que não foram lidas. De palavras que se tornam ainda mais belas, quando retiro toda a luz ao meu redor, para pintar o vento que te envolve.

Em seus gestos ecoa o mistério de ondas belas e esquecidas. Sobre seu espírito, afloram estrelas vestidas de roxo e negro. Mas não há um caminho por entre as nuvens escuras. Por isso, não sei se te encontrei, ou se te perdi.

Dentro de mim? Dentro de mim resta somente o mesmo vinho forte, que vibra em versos de desgraça. Restam somente as mesmas rosas queimadas e o desejo de te prender em um só vôo.

Mas está noite, sonhos serão rasgados. Essa trágica loucura irá talhar para sempre uma sombra em meu sorriso, exilando os risos e ilusões que em ti depositei. Pois foi sempre assim, os livros que mais amei, foram os primeiros a me esquecer.

Tenho pena. Estas asas serão sepultadas debaixo dos fragmentos de meu triste castelo. Tingidas de vermelho e branco, terei somente a lembrança de sua suavidade tatuada no céu.

Deixo como herança uma alma cheia de amargura, um beijo dolorido e vago e este lírio misterioso que exala o mesmo perfume que tua boca.

Será que seu olhar sobre mim agora, com pétalas lhe queimando o coração, será mais terno?

9 de janeiro de 2009

Despedida

Vi uma tempestade dos mais tristes tons dentro de você. Vi teu rosto coberto de delicada ternura inclinar-se sobre o meu silêncio. Mas entenda que é vã qualquer procura pelo oceano que um dia existiu em mim.

As lágrimas destinadas a nós dois assumem cores de declínio. Sua voz, não mais ressoa por entre as flores de papel em meu peito. Flores que, como por obra de um encanto triste, se desmanchavam em horizontes que jamais existiram.

Peço que durante a noite abra a janela, e num suspiro brando como um sonho, embale infinitamente minha alma para longe. Que seja o seu amor a fechar o livro em meu coração, desfazendo retratos, saudades, perfumes e quaisquer instantes em que minhas lágrimas te abraçaram. Milhares de lanças sendo partidas.

Se me chamares, responderei, mas como notas fantasmas de uma melodia que jamais chegou aos seus ouvidos. Como o vento sonolento da tarde que, de repente, te entristece. Na tranqüilidade das cinzas que espalhei sobre o céu que um dia foi meu mirante, quero te sentir distante como uma carícia leve e cheia de esquecimento.

Estou partindo agora. É triste, eu sei, mas enquanto deslizo meu corpo sobre essas escuridões, poderei para sempre escutar o eco dos seus passos e os lindos versos de dor que te dei. A canção trovejante que minha estrela bordou em você, será como um apelo belo e vago. Mas será uma canção, apenas.