A lembrança dos sorrisos que abandonei cedo demais, a saudade insuportável das vozes que matei violentamente, o coração rasgado por trovões e a dor tênue em cada um dos meus gestos são como um fiozinho d'água triste em meu peito, traçado e nunca desfeito.
Mas nas palavras de Caio Fernando Abreu: "...você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente..."
Ah meu amor! E agora, o que eu faço com você? O que faço com esses girassóis pousados sobre a sua ausência? A ternura febril que deixa um rastro entre nós, mas que ninguém pode ver. A ansiedade dolorida em seus lábios. Os sonhos claros girando como uma roda-gigante fantástica em nossos corações...