Eu tenho uma caixinha que levo sempre comigo. Algumas vezes debaixo do braço, outras no bolso da camisa. Ela não é nem muito grande nem muito pequena. Tem mais ou menos, quando fecho meus olhos, o tamanho das suas mãos.
Nela eu coloco tudo o que eu sinto sem poder dizer, como a cor do oceano que habita seus olhos, flores sendo devastadas e até mesmo o perfume da sua boca quando começamos a sonhar.
Gosto de guardar também os momentos em que seus braços foram, para mim, o refúgio para toda a dor absurda da humanidade. Os momentos em que todos os sabores mais agradáveis brotavam em sua pele, como uma nascente inesgotável para a minha loucura.
Mas agora tudo parece estar em silêncio. A brisa que eu recolhia do meu peito para te dar. Os versos tristes, escritos em flores de papel. Nossas mãos tocando aquele céu quebrado. O rastro das estrelas frias que eram lançadas sobre a terra. A luz da tempestade viajando nos vitrais dos meus olhos.
Nada disso te interessa mais, nem mesmo as imensas andorinhas que te levaram para longe em escuras ondas de renda.
Ah! E a minha caixinha? Já não sei onde a deixei.
Talvez em casa. Quem sabe no seu coração.
Meu Deus, seus textos são simplesmente incríveis, tenho vontade ler todos, deve ter muita experiência já é claro. Seus textos podem ser lidos sempre de duas maneiras, e isso é muito intrigante. *-* continue sempre assim romântico, me inspirou já duas vezes. Beijos
ResponderExcluirOlá. Fiquei muito contente pelo comentário. Obrigado de coração!
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