Vi uma tempestade dos mais tristes tons dentro de você. Vi teu rosto coberto de delicada ternura inclinar-se sobre o meu silêncio. Mas entenda que é vã qualquer procura pelo oceano que um dia existiu em mim.
As lágrimas destinadas a nós dois assumem cores de declínio. Sua voz, não mais ressoa por entre as flores de papel em meu peito. Flores que, como por obra de um encanto triste, se desmanchavam em horizontes que jamais existiram.
Peço que durante a noite abra a janela, e num suspiro brando como um sonho, embale infinitamente minha alma para longe. Que seja o seu amor a fechar o livro em meu coração, desfazendo retratos, saudades, perfumes e quaisquer instantes em que minhas lágrimas te abraçaram. Milhares de lanças sendo partidas.
Se me chamares, responderei, mas como notas fantasmas de uma melodia que jamais chegou aos seus ouvidos. Como o vento sonolento da tarde que, de repente, te entristece. Na tranqüilidade das cinzas que espalhei sobre o céu que um dia foi meu mirante, quero te sentir distante como uma carícia leve e cheia de esquecimento.
Estou partindo agora. É triste, eu sei, mas enquanto deslizo meu corpo sobre essas escuridões, poderei para sempre escutar o eco dos seus passos e os lindos versos de dor que te dei. A canção trovejante que minha estrela bordou em você, será como um apelo belo e vago. Mas será uma canção, apenas.
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