11 de janeiro de 2009

Rosas Queimadas

Há nos seus olhos certa imensidão. Uma imensidão de dor e ritmos que minhas mãos não podem alcançar. Retratos de abandonos cruéis e desleais.

Há nos seus olhos um enredo profundo e secreto de palavras que não foram lidas. De palavras que se tornam ainda mais belas, quando retiro toda a luz ao meu redor, para pintar o vento que te envolve.

Em seus gestos ecoa o mistério de ondas belas e esquecidas. Sobre seu espírito, afloram estrelas vestidas de roxo e negro. Mas não há um caminho por entre as nuvens escuras. Por isso, não sei se te encontrei, ou se te perdi.

Dentro de mim? Dentro de mim resta somente o mesmo vinho forte, que vibra em versos de desgraça. Restam somente as mesmas rosas queimadas e o desejo de te prender em um só vôo.

Mas está noite, sonhos serão rasgados. Essa trágica loucura irá talhar para sempre uma sombra em meu sorriso, exilando os risos e ilusões que em ti depositei. Pois foi sempre assim, os livros que mais amei, foram os primeiros a me esquecer.

Tenho pena. Estas asas serão sepultadas debaixo dos fragmentos de meu triste castelo. Tingidas de vermelho e branco, terei somente a lembrança de sua suavidade tatuada no céu.

Deixo como herança uma alma cheia de amargura, um beijo dolorido e vago e este lírio misterioso que exala o mesmo perfume que tua boca.

Será que seu olhar sobre mim agora, com pétalas lhe queimando o coração, será mais terno?

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