28 de outubro de 2013

Carta

"Todas aquelas estrelas que entreguei em suas mãos. Do fundo da escuridão elas nasciam com suas lindas cores, estremecendo o brilho em seus olhos e o mar dentro de mim.

Eu desenrolei lindas velas adornadas para te seguir. Mas não foi fácil acompanhar tua velocidade. Procurei no céu uma indicação da sua trajetória, uma forma de continuar agasalhado em seus braços.

Hoje nuvens te transportaram por cima da última estrela aberta. Do seu rosto nasceram ondas, e todos os barcos se perderam entre o meu pensamento e o teu.

Nesse meu coração de incertezas, feito para não ser feliz, era sua voz que se ouvia. E desse sonho exposto à correnteza, só recolho um silêncio fino e cheio de sombras.

Estou tão cansado, tão cansado. Não posso mais embalar essa tristeza, desde que nosso amor se perdeu nesse mar tão terrível, profundo e infinito.

Agora, passo os dias com um céu pulsando em minhas mãos vazias. Os olhos perdidos em um horizonte que, cheio de melancolia, inutiliza meus gemidos, mas que também vai quebrando meu coração..."

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