Uma das minhas poesias preferidas, extraída do livro Viagem, de Cecília Meireles. A esse livro foi concedido o Prêmio de Poesia Olavo Bilac, em 1939, pela Academia Brasileira de Letras.
Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sòzinho,
que sòzinho sofre, - e resiste.
Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente...
Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo mêdo de perder tudo.
Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sôbre a água do mundo
para mirar seu desencanto.
Para vêr passar numa onda lenta e fria
a estrêla perdida da felicidade
que soube que não possuiria.
Cecília Meireles
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