10 de fevereiro de 2009

Perfume

Por qual razão me dedico a telas de tons sombrios e irreais, quando meu sangue é da mesma cor que os rubros vinhos? Por qual razão caminho por paisagens de uma inocência desfeita, cheia de lírios decadentes, onde o horizonte guarda somente a ausência de luz? Ainda mais triste é querer saber por que, nesse doido anseio por amar, acabo absorvendo o fulgor triste e doloroso de lamparinas fadadas à escuridão.

Nessa febre que me invade, esqueço que trago o desenho das mais serenas montanhas em meu corpo. E a sombra desses muros negros não pode desfolhar as orquídeas vaporosas que nascem sobre meu coração. Simplesmente não podem. Pois é preciso guardar esse perfume tão gentil, para aquela nuvem que em sua trajetória modela meu sonho e minha imaginação. Para aquele bater de asas que explode em meu peito, como se sustentando o rugir de todas as águas. É preciso guardar um perfume tão gentil, para tuas mãos lindas de menina. Preciso guardá-lo... para você.

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