Folheando minha edição do livro Flor de Poemas de Cecília Meireles, encontrei o seguinte flash sobre a poetisa, escrito por João Condé e publicado no "O Cruzeiro", Rio de Janeiro, em 31 de dezembro de 1955. Acredito que foram poucos os livros sobre a autora que eventualmente inseriram tal trabalho em suas páginas, por isso resolvi compatilhá-lo.
"Nome: Cecília Meireles - Nasceu no Distrito Federal - Casada, tem três filhas e dois netos - Altura, 1,64 - Pesa 59 quilos e calça sapatos número 37 - É quase vegetariana - Não fuma, não bebe, não joga - Não pratica nenhum esporte, mas gosta muito de caminhar e acha que seria capaz de dar a volta ao mundo a pé - Não gosta de futebol e raramente vai ao cinema - Gosta de bom teatro - Responde pontualmente todas as cartas que recebe, mas atrasa-se, às vezes, em agradecer livros, porque só agradece depois de os ler - Adora música, especialmente canções medievais, espanholas e orientais - Poetas preferidos: todos os bons poetas - Prefere os pintores flamengos - Dorme e acorda cedo - Leu Eça de Queirós antes dos 13 anos - Escreveu o seu primeiro verso aos 9 anos - Estudou canto, violão, violino e, às vezes, desenha - Se pudesse recomeçar a vida, gostaria de ser a mesma coisa, porém melhor - Seu primeiro livro publicado foi Espectros, tinha 16 anos - Seu principal defeito: uma certa ausência do mundo - Seu tormento: desejar fazer o bem as pessoas que precisam de auxílio e não o aceitam - Nunca viu assombração, mas gostaria de ver - Não tem medo de viajar de avião em viagens longas - Gostaria de tornar a visitar o Oriente e chegar até a China - Pensa que poderia, pelo menos, ficar muito tempo no Mediterrâneo - Coleciona objetos de arte popular - Já colecionou xícaras e colheres de chá - Agora acha o café tão ruim que não vale a pena colecionar os acessórios - Teve grande emoção quando chegou aos Açores, terra de seus antepassados - Outra emoção grande: quando viu a sua "Elegia a Gandhi" traduzida em idiomas da Índia - É o poeta brasileiro mais conhecido em Portugal - Até agora não conseguiu gostar de Paris, embora admire a França - Admira profundamente São Francisco de Assis, Gandhi e Vinoba Bhave - Coisas que a horrorizam: tocar em papel carbono, ver comer ostras, aspirar fumaça de ônibus - Coisas que ama: crianças, objetos antigos, flores, música de cravo, praia deserta, livros, livros, livros, noite com estrelas e nuvens ao mesmo tempo - Acha que não tem medo da morte - Gostaria de morrer em paz."
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